Mesmo com a sede inacessível durante a maior enchente da história do Rio Grande do Sul, a operação da Onnix foi retomada em menos de 24 horas e permaneceu ativa por 30 dias em contingência.
No domingo, 4 de maio de 2024, o centro de Porto Alegre amanheceu tomado pela água. A maior enchente já registrada no Rio Grande do Sul interrompeu acessos, infraestrutura urbana, energia elétrica e conectividade em diversas regiões da capital.
Entre as empresas impactadas estava a Onnix Corretora de Câmbio. A sede física havia se tornado inacessível. Mas, na manhã seguinte, toda a operação já funcionava novamente.
Em menos de 24 horas, o ambiente de contingência foi ativado e as operações retomadas por meio de uma estrutura de Disaster Recovery as a Service (DRaaS) implementada pela Penso.
Um setor em que indisponibilidade não é apenas problema técnico
Para instituições financeiras, interrupções não representam apenas perda operacional.
Elas afetam contratos ativos, liquidações financeiras, atendimento a clientes e exigências regulatórias que continuam existindo mesmo durante uma crise.
No caso de corretoras de câmbio, a indisponibilidade pode comprometer:
- operações internacionais;
- contratos em tempo real;
- liquidações financeiras;
- atendimento contínuo;
- conformidade regulatória;
- credibilidade operacional.
Segundo levantamento do Ponemon Institute, uma hora de downtime em ambientes críticos como bancos pode custar, em média, US$ 260 mil.
Impactos que produzem perdas severas
Em ambientes financeiros, poucas horas de indisponibilidade já podem representar perdas milionárias, além de impactos regulatórios e operacionais severos.
Nas operações reguladas pelo Banco Central, o impacto vai além do prejuízo financeiro imediato.
Uma paralisação prolongada pode gerar:
- descumprimento regulatório;
- suspensão temporária de atividades;
- perda de credibilidade institucional;
- e, em casos graves, até cassação da autorização para operar.
Para a Onnix, uma interrupção prolongada poderia representar desde perdas financeiras severas até riscos operacionais e regulatórios capazes de inviabilizar a continuidade da empresa.
DRaaS como fator decisivo
Segundo a liderança da Onnix, a estrutura de Disaster Recovery foi decisiva para preservar a continuidade da empresa durante a calamidade.
Ao recuperar ambientes, o DRaaS sustentou a operação em um cenário que ameaçava a própria sobrevivência do negócio.
Garantir continuidade começa antes da crise
O aspecto mais relevante do caso da Onnix está na retomada rápida viabilizada pela estrutura de continuidade que já existia antes do desastre acontecer.
O ambiente de contingência foi acionado ainda no domingo. Na segunda-feira pela manhã, as equipes já operavam normalmente por meio de uma infraestrutura em nuvem privada, permitindo que a operação continuasse mesmo sem acesso físico à sede.
Durante 30 dias, enquanto a sede permaneceu inacessível, toda a operação continuou funcionando remotamente sem interrupção dos atendimentos em todo o Brasil.
A infraestrutura em nuvem permitiu dissociar a continuidade da operação da dependência física do escritório, garantindo mobilidade operacional mesmo em um cenário de colapso urbano.
Esse é um ponto importante quando se fala em Disaster Recovery: resiliência não se constrói durante a crise.
Ela depende de:
- planejamento prévio;
- infraestrutura preparada;
- ambientes redundantes;
- testes recorrentes;
- governança;
- capacidade de resposta.
Ou seja: o desastre climático colocou à prova uma estrutura que já estava pronta antes da indisponibilidade acontecer.
O verdadeiro papel do Disaster Recovery
Durante muito tempo, Disaster Recovery foi tratado apenas como uma camada técnica de recuperação.
Hoje, esse entendimento já não responde à realidade de operações críticas.
O papel do DR não se restringe a restaurar ambientes depois da perda. Ele deve sustentar a operação quando a indisponibilidade acontece.
Isso significa:
- preservar atendimento;
- manter fluxos financeiros ativos;
- reduzir impactos em cadeia;
- evitar paralisações prolongadas;
- proteger contratos e operações críticas;
- preservar a continuidade do negócio.
No caso da Onnix, manter a operação ativa significou garantir os fluxos financeiros dos quais muitos dependiam naquele momento.
Retomada rápida em um momento crítico
Diante da calamidade que atingia Porto Alegre, a estrutura de continuidade permitiu que a operação fosse retomada rapidamente, reduzindo impactos para outras empresas e centenas de pessoas em um momento já marcado por interrupções generalizadas.
Em meio à infraestrutura comprometida, as empresas continuavam precisando honrar contratos, realizar pagamentos e sustentar suas próprias operações.
Manter essas transações funcionando também significou evitar que os impactos da crise se ampliassem para outras atividades que dependiam dessa cadeia operacional.
Um teste real de continuidade operacional
Existe um aspecto que torna esse caso ainda mais significativo: a simulação formal do plano de Disaster Recovery já estava agendada para os dias seguintes à enchente.
Na prática, o desastre climático antecipou um teste real de continuidade operacional em larga escala.
A estrutura respondeu exatamente como deveria responder em um cenário crítico:
- ativação rápida;
- retomada operacional;
- continuidade do atendimento;
- sustentação da operação mesmo sem acesso físico à sede.
O que era planejamento tornou-se resposta real a uma situação extrema.
Os custos da indisponibilidade
Relatório da Tricentis divulgado em 2025 aponta que 50% das empresas brasileiras acumulam prejuízos anuais superiores a US$ 1 milhão devido a falhas de sistemas.
Em setores críticos, os impactos da indisponibilidade raramente se limitam à interrupção técnica.
Eles afetam:
- reputação;
- operação;
- contratos;
- compliance;
- confiança do mercado;
- continuidade institucional.
Por isso, Disaster Recovery deixou de ser apenas contingência tecnológica.
Hoje, ele sustenta a capacidade operacional das empresas em cenários de alta criticidade.
Resiliência operacional não pode começar durante a crise
O episódio vivido pela Onnix mostra que continuidade operacional não é improviso. Também não é apenas recuperação.
É preparação.
Quando tudo ao redor falha, operações críticas dependem de estruturas capazes de responder rapidamente sem comprometer disponibilidade, atendimento e continuidade operacional.
Em ambientes que não toleram indisponibilidade, resiliência começa bem antes da crise.
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